quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Prédio invadido no Ipiranga ganha ‘cara’ de condomínio residencial

O prédio da avenida Ipiranga, número 811, no centro de São Paulo, começa, aos poucos, a criar uma identidade de condomínio residencial. Em meio a muita sujeira, goteiras, e um chão escorregadio, ao meio-dia, a voluntária Luzia Brito Silva começa a anunciar o almoço na cozinha improvisada no térreo do edifício, abandonado há 15 anos.

“Eu sou a chefe da cozinha. É um prazer danado saber que posso ajudar todas essas pessoas, preparando a comida para elas. Hoje temos arroz, feijão e frango com batata”, relata ela à reportagem do iG, que visitou na quarta-feita o prédio invadido há três dias por um grupo de sem-teto. Outros três imóveis também foram ocupados na madrugada de segunda-feira por cerca de dois mil integrantes do Frente Luta por Moradia (FLM) e Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC).

Enquanto os donos dos imóveis não pedem a reintegração de posse, aos poucos os sem-teto começam a criar uma rotina dentro dos edifícios. As famílias realizam o trabalho de limpeza e estabelecem regras para o convívio em harmonia. “Nosso maior problema agora é conseguir água. Precisamos dela não só para beber, mas também para limpar esse lugar, que está imundo, e nos limpar. Tem muita poeira e isso está incomodando demais”, reclamou Kátia de Oliveira, uma das cerca de 80 pessoas que se instalaram no quarto andar do prédio. “Se a gente ao menos pudesse religar a água, ficaria tudo mais fácil. Teríamos uma vida igual a de quem mora em uma casa comum. Coisa que eu nem lembro mais como é, desde que fui despejada da minha casa por acumular atrasos do aluguel”, explica a moradora.

Muitos moradores chegam a pedir água a estabelecimentos e prédios vizinhos. Fábio das Graças, de 43 anos, morador do 10º andar, conta que foi hostilizado em uma dessas situações. “Hoje (ontem) cedo fui pedir para encher um balde d’água em um bar aqui perto, fui xingado de vagabundo e insultado pelo dono. Eu ia usar a água para limpar o quarto. Ainda bem que o pessoal aqui do lado conseguiu um pouco para mim. Uma coisa que criamos aqui dentro foi o senso coletivo. A maioria das pessoas que estão aqui passa pelas mesmas dificuldades que eu. Boa parte delas também foi despejada de suas casas e precisou ir à luta para conseguir um teto para morar. Não estamos aqui porque queremos, estamos aqui porque é o que conseguimos no momento.”

Luciano Jairo, 31, diz que os lugares onde conseguem ajuda, com maior facilidade, são nas igrejas. “Sempre que precisamos de água com urgência nós vamos à igreja Católica que tem aqui perto ou à Igreja do Largo do Paissandu. Lá a gente sempre é bem tratado, mesmo sendo desempregado, o que é meu caso.”

Kátia de Oliveira divide um quarto com outras 13 pessoas. “O bom é que revezamos bastante durante o dia, mas quando o pessoal chega do trabalho fica difícil se ajeitar aqui. Todo mundo tem que colaborar e seguir as regras”, diz.

Embora sejam poucas, as regras criaram alguns conflitos entre os morados. “Agora mesmo acabei de brigar com uma senhora aqui porque ela fica zanzando para todo o lado, enquanto a gente está limpando o quinto andar. Fui falar para ela que quando estamos fazendo a faxina tem que evitar atrapalhar. É uma das regras temos aqui”, reclamou Tina de Souza.

Os conflitos entre os moradores não se limitam apenas às regras e manutenção da limpeza. “Hoje (ontem), no quarto ao lado teve uma discussão porque o pessoal estava limpando o banheiro e a água estava vazando lá no térreo. Esse prédio está cheio de infiltrações, e agora teremos outra dificuldade, que é fazer a limpeza com pano úmido apenas”, explica Kátia.

O problema de moradia é velho conhecido da diarista Maria Ângela. “Eu estou aqui porque meu auxílio moradia está atrasado há quatro meses e não tenho como pagar meu aluguel. Fiquei inadimplente por um tempo e tive que sair. Não estou aqui porque quero, estou por necessidade. Não consigo emprego, e a única fonte de renda que eu tinha agora não tenho mais”, lamenta.

Nadir Florentina de Araújo está há mais de 20 anos no movimento por moradia. “Participei das invasões do Alto Alegre, fiquei lá por oito meses. Estava junto na do Viaduto do Chá e num conjunto residencial na Mooca. Não tenho como conseguir dinheiro para bancar uma casa, então vou caminhando do jeito que dá.”

Entre as reivindicações do FLM, responsável pelas invasões, está a abertura de um edital de contratação do projeto do imóvel do INSS na avenida Nove de Julho, número 1084, com 540 unidades habitacionais. Projeto que está parado há mais de dez anos.

O movimento também exige a apresentação de cronograma de atendimento em unidades habitacionais de Companhia Metropolitana Habitacional (Cohab), Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e Minha Casa, Minha Vida para as famílias assistidas no programa de atendimento emergencial e Parceria Social totalizando 1.200 famílias.

Durante a tarde desta quinta-feira, representantes da FLM e da Prefeitura de São Paulo participam de uma reunião para negociar a desocupação do prédio do INSS localizado na Avenida Nove de Julho, no centro da cidade. A reunião é realizada na Secretaria Municipal de Habitação (Sehab).

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou que aguarda a finalização do boletim de ocorrência (BO) para fazer o pedido de reintegração de posse do prédio ocupado. A Polícia Militar (PM) informou que monitora a situação nos locais. De acordo com a corporação, o protesto é pacífico e a polícia só pode agir após a emissão de uma ordem judicial.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Prefeitura mantém posto de lixo no Ipiranga

A unidade de transbordo de lixo Vergueiro, no Ipiranga, na zona sul, que deveria ter sido desativada ontem, vai continuar funcionando no mesmo lugar. A Prefeitura anunciou ontem que o prazo do contrato com a Ecourbis, responsável pela unidade, será alterado. Os moradores já entraram com representação no Ministério Público Estadual e pretendem acionar também a instância federal.

Moradores reclamam do barulho dos caminhões e do rastro de chorume.

A Secretaria de Serviços, por meio do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb), informou em nota que, “por conta da impossibilidade alegada pela concessionária de encontrar áreas para a instalação de um novo transbordo, foram apresentadas alternativas como a modernização da Estação de Transbordo Vergueiro e seu entorno”. O novo contrato, segundo a secretaria, está em análise pelos setores técnico e jurídico do Limpurb.

O transbordo funciona desde 1978 na Avenida Ricardo Jafet, do lado da Estação Santos-Imigrantes do Metrô. Diariamente, recebe cerca de 60 toneladas de lixo, recolhidas de 17 subprefeituras. De lá, seguem em caminhões maiores para os aterros.

Em nota, a Ecourbis afirma que uma das cláusulas permite a “adequação de alguns marcos contratuais, quando necessário”. O prazo anteriormente firmado previa uma concessão de seis anos a partir do dia 6 de outubro de 2004.

De acordo com o mesmo documento, a estação atual deveria ter sido modernizada e obras de compensação ambiental deveriam ter sido executadas. Entre o quarto e o quinto ano da concessão, entre 2008 e 2009, uma nova operação teria de ser construída com área mínima de 8 mil metros quadrados em região de uso e ocupação industrial – ou seja, longe de onde hoje funciona o transbordo, rodeado de casas, prédios, comércio e até escolas de ensino fundamental.

A empresa afirma, no entanto, que a Prefeitura solicitou um “plano de modernização e melhorias ambientais” em 2008 para que a unidade pudesse permanecer em funcionamento. Por isso, foi feito um “ambicioso projeto de modernização”, no qual já foi gasto R$ 1,9 milhão. “O início das obras depende da aprovação do projeto nos órgãos competentes. Após seu início, o prazo estimado é de 18 meses”, diz a nota.

Novo lugar. A Ecourbis mantém a posição de que “não existe área adequada onde possa ser instalado um novo transbordo”. O médico Luiz Carlos Morrone, que faz parte da comissão de moradores do Ipiranga pela desativação, mapeou por conta própria locais alternativos para uma nova unidade, todos na Rodovia dos Imigrantes, a cerca de 7 quilômetros do local atual.

“É uma sugestão, mas até agora ninguém me deu resposta se seria viável ou não”, diz. Ele e outros 700 moradores do Ipiranga fizeram um abaixo-assinado contra o transbordo. Uma parte deles protocolou uma representação na Promotoria do Meio Ambiente do MP paulista. Procurado, o promotor Edward Ferreira Filho afirmou que o inquérito segue em análise.

O repúdio dos moradores à unidade não é apenas pelo mau cheiro óbvio que se alastra pelo bairro. “Os caminhões circulam a madrugada inteira, é um barulho infernal”, diz a estudante Bruna Martiniano. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) afirma que não há restrição ao tráfego de caminhões naquela área.

O chorume deixado no rastro dos caminhões é outra reclamação recorrente. “Por onde eles passam, pinga sujeira”, conta a aposentada Maria Aparecida Caires. “O lixo também atrai pombos, que espalham uma série de doenças”, afirma o morador Eduardo Pinto.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Acidente com dois carros deixa feridos no Ipiranga

Um acidente envolvendo dois carros deixou dois feridos na rua do Manifesto, na região do Ipiranga, zona sul de São Paulo, no final da noite de domingo (12).

De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a batida ocorreu por volta das 21h40. Uma das vítimas foi socorrida ao pronto-socorro do Heliópolis e a outra foi levada ao pronto-socorro Bosque da Saúde.

Na batida um dos carros atingiu um muro.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Museu do Ipiranga vai ser restaurado

Frisos, colunas e ornamentos que fazem do Museu Paulista, no Ipiranga, zona sul da capital, símbolo da Independência do País sofrem com o peso do tempo. Na fachada principal, o descolamento da argamassa causou a mudança na entrada dos visitantes – agora pelas laterais. Para sanar os problemas estruturais, o prédio histórico será restaurado. Arquitetos já trabalham na coleta de informações sobre o imóvel para preparar o projeto.

A pintura descascada e as paredes afetadas por fungos deixam à mostra os tijolos e denunciam a idade do prédio, erguido há 120 anos, e que só agora passará por uma grande restauração externa. O edifício do museu foi entregue em 1890, depois de pelo menos dez anos de discussões sobre como deveria ser o monumento em homenagem à fundação do Império. Ou seja, quase um ano depois da Proclamação da República.

“Anteriormente, houve apenas serviços de manutenção”, diz o arquiteto José Costa, coordenador de espaço físico da Universidade de São Paulo (USP), que comanda o projeto. A maior obra de restauro ocorreu entre 1993 e 1997, quando a cobertura de cobre e a claraboia foram restauradas.

A primeira fase do restauro, até dezembro, será de levantamento dos detalhes que exigem recuperação. “É preciso analisar os danos provocados por umidade, fungos e bactérias e definir um material durável para recuperar os ornamentos”, explica Cecília Helena Salles Oliveira, professora e diretora do museu. No último fim de semana, uma equipe de arquitetos usava uma grua para fazer fotos de detalhes dos andares superiores do prédio.

A previsão é de que no início de 2011 o projeto seja encaminhado para análise do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). Após aprovação, será aberta licitação para definir a empresa responsável pela obra, começando pela fachada. “A previsão é de que fique pronta até o fim do ano que vem. Só a recuperação da fachada deve custar R$ 2 milhões”, diz a diretora. A princípio, o conserto será só na parte externa. “Mas, dependendo da análise dos arquitetos, pode haver intervenções internas.”

Avaliação minuciosa. A avaliação do prédio está sendo feita pela SVS Consultoria de Projetos, que ganhou a licitação para fazer o projeto de restauro. A empresa fotografa, mede e prepara desenhos e análises em laboratório de cada parte comprometida. “Na planta da construção do prédio não há referências, que devem ter sido perdidas nas oficinas nas quais os adornos foram encomendados. É preciso registrar tudo, para futuro restauro”, explica Costa. Os serviços, orçados em R$ 550 mil, servirão também para calcular o custo total da obra.

Monumento. O Monumento à Independência, que é de responsabilidade da Prefeitura, está na fila para o restauro, aguardando projeto do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH). Já a Casa do Grito foi restaurada entre 2007 e 2008, com custo de R$ 140 mil.

domingo, 5 de setembro de 2010

Homem morre afogado em córrego no Ipiranga

Um homem morreu afogado em um córrego que passa atrás do museu do Ipiranga, na avenida Dr. Ricardo Jafet, na zona sul de São Paulo, neste domingo (5). De acordo com a Polícia Militar, a vítima estava bêbada e pulou dentro do córrego.

O Corpo de Bombeiros e o helicóptero Águia da Polícia Militar foram acionados, por volta das 15h, mas não houve tempo de socorro.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Hospital estadual em obras prejudica pacientes no Ipiranga

A reforma pela qual passa o Hospital Estadual do Ipiranga, na zona sul de São Paulo, tem prejudicado pacientes, acompanhantes e profissionais que trabalham na instituição estadual. Barulho, rachaduras e queda de pedaços de concreto são algumas reclamações.

No segundo andar do prédio, britadeiras e marretas quebram paredes do pronto-socorro e do ambulatório –as vibrações derrubaram pedaços de concreto armado da fachada de 11 andares sobre um dos principais acessos, segundo funcionários.

Blocos com até 5 kg que se soltaram das janelas estavam ontem no chão. Segundo um dos faxineiros, os pedaços caíram do quinto andar (cerca de 10 m de altura), no domingo. “Se [os pedaços] atingissem a cabeça de alguém, matariam”, disse. Um pedaço caiu sobre um corrimão de ferro com tanta força que o deixou entortado.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Acidente no Ipiranga deixa um morto

Uma colisão entre um ônibus e uma motocicleta no bairro do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, deixou uma pessoa morta na tarde desta segunda-feira (30). Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a faixa da direita da Rua Brigadeiro Jordão, próxima ao local do acidente, foi bloqueada às 16h20.

Três carros do Corpo de Bombeiros foram enviados à via, mas a vítima, que estava em estado grave, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Não houve outros feridos, segundo os bombeiros.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Frentista é baleado e morre durante roubo de carro no Ipiranga

Um frentista morreu depois de um roubo de carro na noite desta quinta-feira (19), na zona sul de São Paulo. O funcionário do auto posto Atlanta, no número 2.200 da estrada das Lágrimas, no Ipiranga, foi baleado por volta das 19h, quando um homem armado assaltou o proprietário de um Ford Ka. Na fuga, o criminoso atirou contra o frentista.

Pessoas que estavam no posto de combustíveis prestaram socorro e o baleado foi levado ao Pronto Socorro de Heliópolis, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Policiais da 1ª Cia do 46ª Batalhão atenderam a ocorrência, e a registraram 95º Distrito Policial, em Heliópolis. O carro roubado e autor dos disparos ainda não foram encontrados.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Incêndio mata duas pessoas no Ipiranga

Dois moradores de rua morreram na madrugada desta quinta-feira (19) em um incêndio na parte de baixo do Viaduto Almirante Delamare, na região do Ipiranga, zona sul de São Paulo.

O fogo atingiu casas improvisadas feitas de madeira e plástico, o que facilitou a propagação das chamas.

Nove equipes do Corpo de Bombeiros foram para o local por volta das 23h55 desta quarta-feira (18) e conseguiram controlar o fogo por volta de 1h15 desta quinta-feira (19).

De acordo com informações dos bombeiros, as vítimas moravam nas casas improvisadas construídas no local. As causas do incêndio estão sendo investigadas.

O caso foi registrado no 17º Distrito Policial, no Ipiranga.

sábado, 7 de agosto de 2010

Aquário de São Paulo no Ipiranga recebe peixe ameaçado de extinção

O Aquário de São Paulo, no Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, ganhou um novo morador: um peixe mero, que está ameaçado de extinção. O peixe chegou na última quinta-feira chegou na madrugada de quinta-feira. Ele é encontrado no Oceano Atlântico, nas áreas onde a água é mais quente. O mero pode chegar a pesar 400 quilos e atingir mais de 2,5 metros. Segundo o oceanógrafo do Aquário de São Paulo, Ricardo Cardoso, por causa de sua sociabilidade, o mero é um animal muito caçado.

- Ele se aproxima com facilidade do pescador – diz o oceanógrafo.

Até 2007, a pesca do mero estava proibida no país para evitar a redução da população dessa espécie. O mero se tornou raro nos locais onde a pesca é mais intensa, como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco e Maranhão. Já no Sul do Paraná e norte de Santa Catarina eles se reproduzem bem.

Além dele, o aquário recebeu um baiacu, um badejo, uma raia mariposa, uma rêmora, lagostas e dois tubarões lixa do sexo feminino – cada uma com aproximadamente dois metros de comprimento, que se juntam aos outros cinco tubarões do aquário.